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Monthly Archives: Janeiro 2014

Exercício 1 // Estudos Contemporâneos em Design // Ana Beatriz Marques // Melany Abade

As bases teóricas deste projecto têm como referência a perspectiva de Gui Bonsiepe sobre Design e Democracia[1]. Neste capítulo, o autor começa por contextualizar histórica e socialmente a prática do design, tecendo largas críticas ao seu estado actual. Tais críticas devem-se à “expansão semântica horizontal” e à “redução semântica vertical” do conceito design. Desta forma, a prática do design tende a afastar-se cada vez mais da “solução inteligente de problemas” aproximando-se do obsoletismo rápido próprio do styling. Com vista a um reposicionamento do design, numa expansão semântica vertical do seu significado, o autor defende uma aproximação entre a actividade artística e a actividade científica, que se materializa na valorização da actividade projectual, e o seu ensino académico, em áreas não necessariamente ligadas ao design. Por outro lado, “o design deve recorrer a conhecimentos científicos quando a temática o exige” (Gui Bonsiepe, 2011, p.19).

No que concerne à democracia, o autor começa por clarificar a sua definição neoliberal, segundo a qual “a democracia é sinonimo da predominância do mercado como instancia suprema para regular as relações sócias e económicas.”. Uma interpretação mais humana, e menos capitalista apresenta o autor, para quem democracia representa a possibilidade da participação dos dominados, no sentido da redução de heteronomia ou redução da subordinação a uma ordem imposta por agentes externos, fomentando a autonomia.

Seguindo o pensamento iluminista que caracteriza o pensamento do autor, com vista à redução da heteronomia, Bonsiepe enuncia o significado de Humanismo, segundo o filósofo Edward Said, “Humanismo é o exercício das nossas competências da linguagem para compreender, reinterpretar e lidar com os produtos da linguagem na história, em outras línguas e noutras tradições históricas” (Edward W. Said, 2003, p.28).

Bonsiepe transporta as considerações sobre humanismo ao design, na forma de humanismo projectual. Assim, “O humanismo projectual seria o exercício das capacidades projectuais para interpretar as necessidades de grupos sociais e elaborar propostas viáveis, emancipatórias, em forma de artefactos instrumentais e artefactos semióticos”.

Dado o carácter emancipatório, o humanismo projectual destina-se sobretudo a grupos sociais dominados, excluídos ou de alguma forma, descriminados, propondo-se à redução da heteronomia através da formação de uma consciência crítica face ao desequilíbrio entre os centros de poder e os que são submetidos a eles.

Na manutenção destes centros de poder destacam-se o papel do mercado, do design e da tecnologia. O mercado é, segundo o economista Kenneth Galbraith, sinonimo de capitalismo, por outro lado o design constitui uma ferramenta de poder e estratégia ao seu dispor, através da projecção de aparências em produtos e artefactos semióticos, renovando constantemente a sua imagem. A tecnologia abrange os artefactos e processos de produção em massa, fundamentais à industrialização. Por sua vez, a industrialização é responsável pela democratização de produtos e serviços capazes de melhorar a vida quotidiana nos diferentes aspectos (saúde, educação, transporte, etc.). Pelo contrário, a privatização é sinónimo de desdemocratização, os recursos sociais são transferidos à esfera de interesses particulares financeiros. Conclui-se desta forma, que o design é uma arma de estratégia que pode ser usada no sentido de produzir autonomia ou dependência (heterónomia).

Enquanto ferramenta de poder, de que forma pode o Design contribuir para a democratização de serviços, reduzindo a heteronomia de classes excluídas ou “desfavorecidas economicamente”?

No livro  Design Act: Socially and politically engaged design today, o design social / crítico / humanitário / activista / relacional (estas variantes são referidas como sinónimos) surge como tema principal, responsável por questionar os campos de acção nesta área. O design humanitário visa, como foi anteriormente referido, uma redução da heteronomia ou emancipação das normas e tradições opressivas.

Neste campo, o conceito “Participação” tem dominado o discurso, remetendo para o Movimento Escandinavo de Design Participativo de 1970. Originalmente, este movimento surgiu orientado para a democratização no local de trabalho, aqui “participação” referia-se à tomada de decisões conjuntamente numa base de igualdade.

A organização social e os processos que fazem parte da vida quotidiana de uma comunidade são, actualmente, objecto de estudo do design, cuja função é “confrontar as relações de poder e influência através da identificação de novos termos e temas de contestação e novas trajectórias de acção” (Magnus Ericson e Ramia Mazé, 2011, p.1).

Neste sentido, o Design pode ter cariz político, já que estuda e questiona a constituição e organização social, bem como as relações de poder dominantes. As propostas do Design Participativo / Humanitário / Social visam uma democratização de serviços básicos (como o transporte ou a educação) através da redução de heteronomia; bem como um aumento do poder da comunidade – envolvimento dos utilizadores directos (trabalhador, cidadão, utente) ao longo do desenvolvimento de um projecto, desde a definição do problema à avaliação das soluções propostas.


[1] : Capítulo do livro Design, Cultura e Sociedade, de Gui Bonsiepe.

Proposta

A deterioração do serviço de transportes públicos

As greves e a eminente privatização dos transportes públicos, nomeadamente o Metro de Lisboa representam alem da degradação dos transportes públicos, uma limitação à liberdade dos seus utilizadores, a subordinação a uma ordem imposta por agentes externos, determinada pela organização social, pelas decisões políticas e pelas relações de poder que a constituem, e na qual são pouco activos. Nas palavras de Gui Bonsiepe:

“a democracia vai muito além do direito formal de votar, assim como o conceito de liberdade vai muito além da possibilidade de escolher entre centenas de modelos de telefones ou uma viagem a Orlando para visitar a Disneylândia, ou a Paris para visitar o Museu do Louvre.”

(Gui Bonsiepe, 2011, p.20)

A democracia deve privilegiar a participação de cada indivíduo, não deve cingir-se apenas ao direito de voto, deve permitir uma participação mais activa, nomeadamente nas decisões governamentais que dizem respeito a todos, a questão dos transportes públicos é apenas um dos muitos temas que deveriam ser discutidos clara e publicamente.

Segundo o jornal Público, do dia 18-11-2013, desde que o governo tomou posse em Junho de 2011, houve quase 500 dias de greve nos transportes, tendo-se registado o período mais intenso em 2012, onde se contabilizaram 318 dias de paralisações, dos quais 14 com duração de 24 horas. Tendo ainda como fonte o mesmo jornal do dia 17-12-2013, a Metro de Lisboa irá sofrer greves uma vez por semana a partir de Janeiro de 2014.

Entre os motivos de greve, os trabalhadores contestam os cortes salariais que deverão ser agravados, passando a afectar salários a partir dos 600 euros; ainda segundo o mesmo jornal do dia 19-12-2013, são também contestadas as medidas do decreto-lei 133-2012, que “pretende abrir as portas à concessão da empresa”, reduzindo os trabalhadores, bem como os seus direitos e a sua remuneração, levando-os a uma situação incomportável, medidas que parece ter como único objectivo tornar a empresa mais apetecível para uma futura privatização.

Neste sentido, segundo notícia avançada pelo Publico do dia 25-09-2013, a concessão ou privatização de empresas do estado, como a Metro Lisboa deverá ser concretizada este ano, 2014, com o objectivo de reequilibrar o resultado operacional do sector do transporte, exigência feita pela Troika, porém este processo está a decorrer “sem articulação com as autarquias e sem que se perceba exactamente os moldes em que tal vai ser feito”.

Se por um lado a privatização se justifica a nível económico, já que empresas como a Metro Lisboa ou a Carris têm vindo a acumular dívida e representam anualmente prejuízo para o Estado, a nível social esta medida põe em causa um interesse público fundamental como é o transporte. Depois da privatização, além dos cortes salariais e dos despedimentos deverá ocorrer um aumento do preço nos transportes, e os passes que “de sociais, já só têm o nome” tornar-se-ão para muitas pessoas incomportáveis. Também a nível ecológico, deverão existir consequências, já na impossibilidade de pagar o metro, muitas pessoas ver-se-ão obrigadas a recorrer a outros meios de transporte como o carro, devendo aumentar o número de viaturas a circular na cidade.

Neste contexto social, torna-se necessária a “formação de uma consciência crítica face ao desequilíbrio entre os centros de poder e os que são submetidos a eles”.

Jenny Holzer, “Private Property Created Crime”, 1985. Times Square, New York

Jenny Holzer, “Private Property Created Crime”, 1985. Times Square, New York

 Desta forma, o design deve questionar a constituição e organização social, fomentando uma consciência critica na sociedade, ao mesmo tempo que procura soluções que produzam autonomia, e que não causem novas dependências.

Barbara Kruger, “Untitled (Your comfort is my silence)”, 1981

Barbara Kruger, “Untitled (Your comfort is my silence)”, 1981

Projecto

Dada a redução da autonomia dos utilizadores do Metro Lisboa potenciada pelas greves e por uma eminente privatização, este projecto visa a formação de uma consciência crítica face ao desequilíbrio entre os centros de poder e os que são submetidos a eles. Neste sentido, são componente do problema, a Metro de Lisboa, o estado, o orçamento de estado para 2014, os trabalhadores e utilizadores deste serviço (público alvo), a greve, e a privatização.

Numa tentativa de enfatizar o descontentamento e consciencializar os utentes do metro de Lisboa, o projecto passa pela oferta de “cheques”, onde o valor oferecido corresponde ao valor total do dinheiro perdido com as greves por um utente com passe social durante um ano civil. Estes cheques seriam entregues por nós, na via pública, junto às entradas do metro.

Tarifas dos passes sociais para 2014:

Navegante Urbano – 35,65 €, durante um ano equivale aproximadamente a 1,17 €/dia

Navegante Rede – 42,00 €, durante um ano equivale aproximadamente a 1,38 €/dia

(Consultar o tarifário completo do METRO)

Número de greves:

As previsões são de uma greve por semana. Supondo que estas greves são gerais e tendo em conta que um ano tem 52 semanas, estão previstas então 52 greves, ou seja, 52 dias pagos pelos utilizadores que não vão poder ser usufruídos. Então, um utente perde no ano de 2014:

Navegante Urbano – 60,84 €

Navegante Rede – 71,76 €

(Estes resultados são suposições e servem como exemplo do que se pretende realizar)

No inverso deste “cheque” é apresentada uma fundamentação explicativa dos seus objectivos e propósitos.

Ao materializar esta ideia e conceito monetário, pretende-se confrontar os utilizadores deste transporte, e alertar para a necessidade de uma rápida intervenção.

O público-alvo são todos os utilizadores deste meio de transporte, bem como os seus trabalhadores. Dada a abrangência do público-alvo, consideraremos o público adulto, sem restringir ninguém, mas pretendemos dar especial atenção aos utentes do passe social.

A crítica poderá evoluir, no âmbito da UC de Produção em Novos Media, para uma análise da história do metro, focando os intervenientes na sua gestão, e averiguando qual o seu contributo, bem como a sua responsabilidade na situação actual, tornando estas informações públicas e claras através de uma plataforma digital.

A partir de um conhecimento mais aprofundado sobre as falhas no processo de gestão do Metro, torna-se mais fácil encontrar alternativas à sua concessão e sobretudo à privação do transporte público.

Sites consultados sobre a greve nos transportes (acedidos no dia 5 de Janeiro de 2014):

http://www.publico.pt/economia/noticia/houve-quase-500-dias-com-greves-nos-transportes-desde-que-o-governo-tomou-posse-1612991

http://www.publico.pt/economia/noticia/metro-de-lisboa-vai-parar-uma-vez-por-semana-a-partir-de-janeiro-1616668

http://www.publico.pt/economia/noticia/trabalhadores-do-metro-de-lisboa-em-greve-circulacao-parada-ate-as-10h00-1616875

http://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=3593009&seccao=Sul

http://www.publico.pt/economia/noticia/sergio-monteiro-chamado-ao-parlamento-por-causa-dos-transportes-publicos-1607002

http://www.publico.pt/economia/noticia/sergio-monteiro-chamado-ao-parlamento-por-causa-dos-transportes-publicos-1607002

http://rr.sapo.pt/informacao_detalhe.aspx?fid=25&did=82320

Referências bibliográficas:

BONSIEPE, Gui. Design, Cultura e Sociedade. São Paulo: Blucher, 2011. 

ERICSON, Magnus e MAZÉ, Ramia (eds.). Design Act: Socially and politically engaged design today – critical roles and emerging tactics. Stockholm: laspis, 2011. 

MAU, Bruce & the Institute Without Boundaries. “Massive Change”. New York: Phaidon Press, 2004.

Estudos Contemporâneos em Design // Aula 6

Embora não pareça, numa primeira instância, existir grande relação entre o discurso de Chimamanda Ngozi Adichie em “The danger of a single story” e o design, estes não poderiam estar mais abraçados e conectados.

Achei comovente e de extrema sensibilidade as palavras da escritora, e penso ser um excelente ponto de partida para diversas discussões de importância social e global. E como vejo o design numa perspectiva social e global, que conecta pessoas, recursos e locais, vi em Chimamanda uma “designer”, uma pessoa que não acredita em histórias únicas e estereótipos, alguém que procura compreender o mundo e lidar com as diferenças culturais como um foco positivo, e desta forma projectar para pessoas reais.

John Thackara, em “Plano B – O Design e as Alternativas Viáveis em um Mundo Complexo”, afirma que “para mudar a forma como fazemos as coisas, precisamos mudar a forma como as percebemos”. (Thackara, p.18) É fácil encontrar semelhanças neste excerto com o discurso de Chimamanda. Projectar para pessoas reais requer conhece-las, percebe-las numa perspectiva própria e única, e não através de histórias estereotipadas que roubam a venerabilidade e criam distância entre pessoas. Conhecer pessoas reais é trabalhar para problemas reais.

Como faz igualmente referência o autor neste livro, por vezes repetitivo, estamos a viver numa rotina onde inovação parece já não ter nada de novo, onde estamos focados numa tecnologia que dá mais importância aos meios do que aos fins. Que apesar da população do planeta ter aumentado bruscamente, continuamos a utilizar a tecnologia como único recurso, a insistir numa procura desmedida por equipamentos e serviços que tentam poupar a mão-de-obra, desvalorizando o Homem e entregando-o aos sistemas. Parece-me que passou a existir um desrespeito pelo que as pessoas são capazes de fazer e a tecnologia não é.

Nesta perspectiva Thackara propõe um Plano B, uma transição de inovação orientada pela ficção científica para uma inovação orientada pela ficção social.

Fala-se então de Design Social, mas já não deveria de ser o termo design um pressuposto social? Parece existir cada vez mais uma necessidade de criar novos termos para uma disciplina, mas não seria essencial repensá-la? Penso que o próprio design não precisa de excessivas categorias, pois a sua essência em si já é amplamente alargada e global, e neste caso em específico, um pensamento orientado para sistemas sociais integrados. Mas se a utilização destes termos promove novas discussões e focos de interesse, não me contraponho.

Como se observa com os exemplos fornecidos em “States of Design 10: Social Design”, este foco de estudo procura uma globalização real e sustentável, onde se pensa menos em coisas e mais em pessoas. Aliar a tecnologia? Talvez, mas nunca esquecer que design é sobre pessoas, e que elas também podem contribuir. É possível gerar sistemas completos se todas as pessoas que os utilizarem, incluindo os designers, se unirem de forma colaborativa e atenta às diferenças culturais.

Voltado ao ponto inicial deste texto, para projectar para uma comunidade é preciso conhecer mais do que uma história. Várias histórias vão permitir perceber o que queremos mudar, várias histórias vão dar soluções.

– Adichie, Chimamanda: The danger of a single story TEDTalk

– Thackara, John. Plano B – O Design e as Alternativas Viáveis em um Mundo Complexo, São Paulo: Saraiva, 2008 pp. 11-39

– Antonelli, Paola: “States of Design 10: Social Design” in domus 22 Fevereiro 2012

Estudos Contemporâneos em Design // Aula 5

Ao som das locomotivas, a Primeira Revolução Industrial caracteriza-se pela passagem do manufacturado para o mecânico. Já a Segunda Revolução Industrial cria aquilo a que hoje chamamos de fábricas, linhas de montagem, e consumo em massa, aliando a produção mecanizada ao digital. Desde então que os avanços tecnológicos tornam-se parceiros do Homem na sua árdua tarefa de aliar as suas potencialidades a ferramentas. Mas, tem-se vindo a verificar uma tendência inversa ao processo industrial de produção em massa, e isto porque surgiram ferramentas como as impressoras 3D. Passa a existir, assim, uma fabricação individual, fabrico aditivo, onde o problema da “economia de escala” deixa de existir e faz com que apareça uma nova revolução industrial, a terceira.

Numa altura em que o mundo se confronta constantemente com inovações e avanços tecnológicos, desafios e soluções, são cada vez mais as probabilidades de estarmos imersos numa nova revolução onde cada um pode tornar-se autor/produtor. Qual será então o papel do designer neste novo conceito de produção? Não será necessário redefinir os laços entre o design e uma indústria dominadora e de consumo?

É óbvio a dificuldade de previsão das consequências deste fenómeno, tanto economicamente, socialmente ou ecologicamente, mas penso que é comum a ideia de ponderação e reflexão. Nesta perspectiva a exposição “Adhocracy”, da curadoria de Joseph Grima e inserida na Bienal de design em Istambul, é sobre criar coisas a partir de um novo conceito de autoria, e visa explorar as possibilidades do design na indústria, nesta nova revolução, e servir como ponto de partida para esta consideração.

O termo, da autoria de Alvin Tofle, faz referência a uma nova ordem de organização que, recorrendo a um trabalho colaborativo, tenta simplificar qualquer processo, procurando novas oportunidades e soluções para o controlo e dominação de grupos económicos ou de poder. Pretende-se aqui criar novos laços culturais e colocar de parte hierarquias. O propósito é unir as pessoas e o meio industrial, e na área do design, o designer, o fabricante e o cliente/consumidor.

A exposição propõe mostrar uma criatividade individual aliada a um novo processo projectual, onde o designer não assume o total controlo da forma e aspecto final de um determinado objecto. Com esta ideia de auto criação, cooperação e organização presume-se que ao fornecer as ferramentas certas à população, esta será criativamente mais livre e deixará de lidar com problemas de poder anteriormente já referidos ou desperdícios materiais e ecológicos resultantes da produção em massa.

Gosto de observar este conceito como uma forma de activismo político por parte do design, assim como um acto crítico sobre o termo privilegiado de “autor/criador”, onde o design é centrado num indivíduo enquanto criador e não num grupo de utilizadores que precisa de satisfazer certas necessidades, propondo um conceito de design colaborativo. Mas penso que este paradigma não é perfeito, acarretando consequências negativas. Esta total democratização no acesso aos processos projectuais e de produção pode afectar o estatuto, e mesmo a sobrevivência, do designer. Afinal, o design enquanto disciplina surgiu com o propósito de responder a determinadas necessidades, estando o designer qualificado para corresponder a pedidos que outros não deveriam ser capazes de responder com total eficiência.

Se este modelo é totalmente viável para o futuro é questionável, mas penso que cumpre com o seu principal objectivo (que penso ser indispensável actualmente): ser antidogmático, desafiando a economia, o design e o quotidiano com modelos não convencionais que aliam a tradição à tecnologia.

“A third industrial revolution – A special report on manufacturing and innovation” in The Economist, 21 de April 2012

– Grima, Joseph “A Brief History of Adhocracy” in Adhocracy, Istanbul: IKSV, 2012

– Morozov, Evgeny “The Perils of Perfection” in The New York Times, 2 de Março 2013

Estudos Contemporâneos em Design // Aula 2

Ao assistir ao documentário de Adam Curtis, dividido numa série de três filmes, apercebi-me do quanto está intrínseco em nós a realidade da tecnologia, da máquina, mas principalmente a ideia de que o computador pode estabilizar um mundo supostamente não questionável.

Ao mesmo tempo que entendo que é essencial reflectir seriamente nesta temática, e se é ou não possível conseguir abstrair-se de uma corrente desmedida entre homem e máquina, apercebo-me que sou facilmente levada pelo forte visual e discurso do próprio realizador, o que acaba por ser controverso, visto que Adam Curtis finda a “manusear” o público para uma chamada de atenção de uma manipulação global.

Todo o ritmo ousado de imagens e sons, presente ao longo de todo o documentário, leva-nos para um mundo onde o recurso a máquinas e ao ciberespaço da internet é visto como uma solução aos prolemas das sociedades actuais. Aqui, o documentalista apresenta casos reais de investigadores que dizem acreditar na ideia utópica de que o recurso a estas máquinas e plataformas globais libertam a sociedade de um controlo, oferecendo liberdade.

No primeiro filme faz referência à filósofa Ayn Rand, que através de uma ideologia e da influência sobre Alan Greenspan consegue influenciar não são um grupo de seguidores mas também mercados financeiros, o que parecia irrealizável. Fazendo também referência à presidência de Bill Clinton, acaba por atribui a elevação das máquinas aos empreendedores de Silicon Valley. Mas na minha opinião, acaba por perder certa credibilidade ao debruçar-se de forma contínua em falhas pessoais dos alvos, atingindo essencialmente Alan Greenspan.

Nas cerca de três horas de filme é fácil questionarmo-nos e reflectir sobre o modo como o Homem é puxado a agir sob a influência de uma força tecnológica, uma invenção dele próprio e que o torna, sem ele mesmo se aperceber disso, prisioneiro dele mesmo, não o deixando livre de dogmas e preconceitos, fazendo com que pareça inalcançável o poder de livre vontade e arbítrio. Mas penso que o ponto crucial deste documentário está no seguinte pressuposto: acreditar-se que existem semelhanças deste sistema com a própria natureza, ao ponto de parecer haver uma reprodução invulgar da natureza pela máquina.

Desta forma, e fazendo-me lembrar a colectânea “Zeitgeist” de Peter Joseph, “All Watched Over by Machines of Loving Grace” parece aparecer como um alarme cintilante.

Parece existir até agora um lado bastante negro da implementação da tecnologia nas nossas sociedades, mas existem sempre dois lados no que toca a consequências, o positivo e o negativo, sendo fundamental tentar perceber de que forma se pode chegar a uma harmonia. Tal como na natureza ou num ecossistema, qualquer que seja o organismo, este tem o poder de alterar a estrutura inicial do sistema, mas cabe aos restantes organismos conseguirem se unir e encontrar um equilíbrio natural.

Não será então importante assumir a imperfeição do Homem, assim como os seus erros, e tentar encontrar um equilíbrio?

Ana Beatriz Marques // Melany Abade // MAU, Bruce & the Institute Without Boundaries. “Massive Change”. New York: Phaidon Press, 2004.

O livro “Massive Change” resultou da exposição com o mesmo título “Massive Change: The Future of Global Design”, realizada por Bruce Mau e pelo Instituto Without Boundaries sob a curadoria de Bruce Greenville em Maio de 2002, para a Vancouver Art Gallery. De carácter critico, e socialmente comprometida, a exposição apropriou-se da concepção de designer por R. Buckminster Fuller, que o propõe como “a synthesis of artist, inventor, mechanic, objective economist, and evolutionary strategist”. Num contexto em que o design é cada vez menos conotado como a solução inteligente de problemas e tende a associar-se a uma disciplina do rápido obsoletismo, ou do styling, Massive Change promove um aproveitamento total das potencialidades desta disciplina, de forma a maximizar os seus resultados no plano da economia mundial e principalmente no plano da igualdade social.

Desta forma, a exposição dividiu-se em dez zonas, cada uma relativa a uma área específica da economia do design global – economia urbana; economia de movimento; economia da vida; economia da imagem; economia do mercado; economia da informação; economia da energia; economia dos materiais; economia militar e economia da industria, sendo que o livro apresenta um décimo primeiro tema que não consta da exposição, “Riqueza e Politica”. Ao longo do livro, cada uma das economias do design é apresentada e a discussão em torno das possibilidades de intervenção é fomentada a partir de entrevistas e variados materiais disponibilizados por vários profissionais e investigadores ligados a cada tema.

Ao longo de Massive Change destaca-se o papel omnipresente e, muitas vezes imperceptível do design como configurador do sistema, dos espaços e do ritmo de vida, bastante explícito nas primeiras páginas do livro em frases como “Most of the time, we live our lives within these invisible systems, blissfuly unaware of the artificial life, the intensely designed infrastructures that support them.”.

Este volume proclama ser não uma obra sobre o mundo do design mas sim sobre o design do mundo, como refere o autor em “Massive Change is not about the world of design; it’s about the design of the world.”. Com temas variadosMassive Change fornece possibilidades de redesenhar as sociedades, combater a predação ambiental e a decadência civilizacional.

A partir da pergunta “Now that we can do anything, what will we do?”, Massive Change parte de uma óptica optimista do futuro, apoiando-se nas considerações de Arnold J. Toynbee (1889-1975), sobre a resposta da humanidade aos desafios do séc. XX, prevendo que a humanidade deverá ser capaz de enfrentar as alterações ecológicas e sociais em curso, motivadas pela inovação tecnológica, respondendo criativamente. Porém, antes de resolver qualquer problema é necessário saber enunciá-lo, neste sentido são expostos cinco propósitos gerais em jeito de resposta à pergunta anterior, os quais circunscrevem as onze partes que constituem a economia do design global: “We will explore design economies.”; “We will tap into the global commons.”; “We will distribute capacity.”; “We will embrace paradox.”; “We will reshape our future.”.

Nesta fase, o autor aponta alguns sub objectivos, que deverão facilitar o cumprimento dos primeiros, dos quais se destacam a necessidade de abandonar a disciplina clássica de design, e passar a explorar sistemas de troca ou “design economies”, integrando o pensamento das várias disciplinas na resolução de problemas; rejeitar a noção separada e distante de cliente / designer; suprir a concepção ingénua e antiquada de designer como criador individual por uma noção colaborativa que vive através da participação “The reality for advanced design today is dominated by three ideas: distributed, plural, collaborative” (Bruce Mau, 2004, p.17).

Numa sociedade onde para muitos o design é invisível, vivemos num mundo que está de tal forma configurado pelo esforço humano que o design tornou-se numa natureza paralela, sempre presente e inevitável, como um dado adquirido.

Os capítulos apresentados ao longo do livro abarcam problemáticas e questões que inicialmente podem parecer não estar estritamente ligados à disciplina do design, mas que rapidamente nos mostram que o design surge como uma força sem precedentes da possibilidade humana, onde todas as economias e ecologias se interligam e se relacionam de forma global. Para entender esta força emergente, há uma necessidade urgente de articular precisamente o que estamos a fazer ao nosso mundo e a nós mesmos, e esta é a ambição deste livro.

Massive Change é possível a partir de um excelente trabalho de investigação e da colaboração entre investigadores de diversas áreas, assim a noção de sistema colaborativo defendida na resolução de vários problemas ao longo da obra, não só é defendida como também é aplicada.

É um projecto que metamorfoseia mentalidades, que transforma o nosso modo de pensar e observar o design enquanto disciplina contemporânea, que tem o poder de mudar o mundo em que vivemos e atingir todos os aspectos das nossas vidas, até mesmo a própria natureza da vida humana. É provocador, crítico, dramático, sensível, atento às capacidades do Homem, mas adverte para o poder e para a responsabilidade do design.

Os temas abordados, uma série de preponderantes encontros com as mais recentes inovações nas áreas do urbanismo, sustentabilidade, economia, transportes, informação e comunicação, guerra, etc., levam a considerações sobre o futuro empreendedor da cultura do design e as escolhas reais que podemos fazer.

Aqui somos confrontados com uma presença omnipresente e dinâmica que molda a nossa consciência e disposição, orientando as nossas acções e o nosso quotidiano, reconfigurando espaços e modificando as nossas vidas. Contudo, existe em Massive Change essencialmente uma necessidade de verificar o poder do design, e apontar os possíveis campos de acção, observando-se a mudança como forma de manifesto.

As frases destacadas, as imagens estonteantes que acrescentam significado, por vezes de forma metafórica ou irónica, as relações entre capítulos e o grafismo simples e forte fazem deste livro uma óptima oportunidade para uma leitura motivante e enriquecedora, encarnada num cronograma gráfico de invenções e eventos mundiais, num roteiro intelectual de força extasiante.

Contudo, há por vezes uma descontinuidade entre as soluções defendidas por diferentes investigadores. As potencialidades do trabalho colaborativo podiam ter sido maximizadas se investigadores da mesma área trabalhassem na mesma resolução. Por exemplo na Economia Urbana, Carol Burns defende a implementação da casa pré fabricada, enquanto Michael Mc Donough defende o crescimento vertical da cidade, ideias e pontos de vista não conciliáveis à partida, que podiam ter sido trabalhados em conjunto de forma a obter uma solução mais eficaz.

Ao longo do livro são apresentados dois tipos de exemplos, problemas que já foram ou estão a ser resolvidos, faltando apenas a sua implementação, e problemas que não foram ainda solucionados, constituindo potenciais campos de acção para o designer. O segundo tipo de exemplos parece fazer mais sentido no contexto do livro, que pretende promover a mudança, constituindo sobretudo uma forma de enunciar problemas para que possam vir a ser campos de acção para o design – o primeiro passo para a resolução de um problema é a sua correcta exposição.

Massive Change é um projecto global, uma declaração pública e crítica do estado actual do design, uma chamada de atenção para o reconhecimento do seu potencial e um desafio à aceitação da responsabilidade que este tem no mundo contemporâneo.

Destinado a um público amplo, este é um livro para todos, que estende a discussão sobre design para fora do círculo de profissionais da área, envolvendo as pessoas afectadas pela sua intervenção, de forma a permitir o seu contributo.

Há que compreender as actividades invisíveis que unem e modelam o futuro, as quais servem de mote a este livro e representam linhas de acção para um design responsável e socialmente comprometido.

A exposição INTER[IN]VENÇÃO exposta na Fundação Eugénio de Almeida, Évora, é o resultado de uma selecção de obras que constituem a colecção do ZKM | Center for Art and Media  Karlsruhe. Como o próprio nome enuncia, este centro está direccionado para a criação audiovisual e novos media, sendo uma colectânea de artistas e obras do panorama da criação audiovisual e da media art mundial. É considerado como o mais importante centro de arte e tecnologia mundial.

O jogo de palavras, evidente no nome da exposição, cria uma rápida percepção dos focos temáticos da exposição, intervenção e invenção. Confrontado com trinta e três obras de artistas pioneiros e de grande destaque na media art, que redefinem tanto as relações dos nossos meios sensoriais entre si como as relações dos nossos meios sensoriais com o mundo, o público é obrigado a cumprir um papel activo. Aqui as obras deixam de ter um carácter contemplativo associado a museus, e passam a exigir do público uma participação.

Paul Sermon, “Telematic Vision”, 1993; 2009

Existe, aqui, uma clara sensação de que o avanço tecnológico e todo o seu desenvolvimento afectou a forma como percepcionamos e construímos o mundo, constituindo um ponto de partida para uma abordagem teórica da teoria dos media.

O próprio Peter Weibel, director do ZKM, diz que a exposição baseia-se “em teorias dos media históricas e contemporâneas, ou seja, numa teoria materialista dos aparelhos mediáticos e numa organologia dos media, mas também em aspectos ideológicos, efeitos sociais e políticos e no impacto dos media.” (Weibel e Gianneti, 2013, p.20)

O teórico e artista observa, tanto na palestra realizada no dia da inauguração, 29 de Novembro, como no texto “The Post-Medial Condition”, a mecânica como um ponto de partida para o mundo em que vivemos actualmente. Relacionando-se com o discurso de Marshall McLuhan, é evidente a ideia da mecânica enquanto extensão do homem, que acrescenta e auxilia, afirmando também que o lugar das artes mecânicas foi conquistado pelos meios de comunicação.

No texto de 2005, Peter Weibel garante o sucesso intrínseco dos novos meios de comunicação tecnológicos sob a influência que praticam sobre os antigos media como a pintura ou a escultura. Quer dizer com isto, que este sucesso permitiu estabelecer novas abordagens aos antigos media da arte, e assim mante-los vivos, impondo-lhes um processo de mudança radical.

Seguindo esta lógica, os novos media não se assumem apenas como uma extensão do mundo da arte, mas alteram toda a sua estrutura, “(…) the new media were not only a new branch on the tree of art but actually transformed the tree of art itself.”. (Weibel, 2005, p.11)

É fácil perceber este conceito tendo como base o exemplo do autor referente à história da pintura e da sua relação com a fotografia. Weibel diz que a fotografia, através de uma representação mais fiel e realística do mundo, torna-se o principal rival da pintura, obrigando este meio a questionar-se e a redefinir-se. Desta forma, a fotografia permite que a pintura modifique a sua área de intervenção, explorando novos elementos e potencialidades, atingindo o auge com a pintura abstracta, na primeira metade do séc. XX.

Mais tarde, mesmo quando se volta de novo para a representação da imagem do objecto, a pintura tem como influência a fotografia. Em movimentos como a Pop Art, passa a existir uma preocupação voltada para a representação objectiva da realidade, deixando para segundo plano a exploração de outras potencialidades.

O surgimento de programas digitais e de manipulação de imagem trazem, também, à fotografia e à pintura novos impulsos transformativos, “Not only has the western image canon but of course also the sculpture program changed through the influence of technological media”. (Weibel, 2005, p.12)

Peter Weibel confronta-nos, então, com uma mudança de paradigmas que se relaciona com o enquadramento da teoria dos media. O aparecimento desta nova vertente artística, a new media art, que origina uma crise na representação e a desaparição do autor, cria, posteriormente um renascer pelo interesse do autor pela obra, acrescentando-lhe interactividade. Passa a existir, deste modo, uma integração do público com a obra e o autor.

As fronteiras são ultrapassadas, e uma liberação chega com novas áreas de exploração e conteúdos. Mas o autor questionas-nos com uma dúvida fundamental. Mais importante que os próprios novos media, não será a influência que exercem nos antigos media, assim como o seu efeito actual?

Penso que o próprio Peter Weibel acaba por responder de forma positiva ao seu pressuposto com nas suas obras artísticas, assim como o confirmamos ao longo do texto. Esta exposição, INTER[IN]VENÇÃO, é igualmente um exemplo do enorme esforço dos novos media por engendrar uma força transformativa do meio artístico.

A partir daqui Weibel afirma que todas as disciplinas artísticas se transformam pela acção dos media. Aplicando a ciência a esta ideia de arte, o computador surge já não com uma ferramenta do domínio dos cientistas, que procuram respostas e ofertas perfeitas através de cálculos digitais, mas como uma ferramenta essencial ao processo criativo.

Afectada pelo computador, a criatividade humana é confrontada com a presença do computador, que vais mais além no papel de ferramenta, tornando-se o próprio criador de arte. Com este feito passa-se a assistir a uma criatividade e arte simulada, chegando-se ao estado post-medial definido por Peter Weibel, onde este afirma que os antigos media são explorados e ampliados no que diz respeito às suas capacidades, tornando-os mais eficientes, e nunca os substituindo.

Seguindo este conceito post-medial, o autor delega uma noção de superação, que advém do facto de todas as experiências estéticas se tornarem experiências do âmbito dos media.

E segundo Weibel, de forma a melhor entender esta circunstância, existem duas fases distintas da condição post-medial da arte. Declara, em primeira instância, a “equality of the media” que enquanto reconhecimento artístico, é definida por uma procura de igualdade e demonstração das potencialidades específicas dos meios.

A segunda fase, “the blending of the media”, faz correspondência a uma fusão dos media e das suas potencialidades, que tem por objectivo obter inovações significativas. Aqui um media procura requalificar-se a partir de um outro media, fazendo com que a combinação de ambos resulte em congregações inovadoras. (Weibel, 2005, p.14)

“Interactive Plant Growing”, 1992, Christa Sommerer e Laurent Mignonneau

“Interactive Plant Growing”, 1992, Christa Sommerer e Laurent Mignonneau

Neste sentido, obras como “Interactive Plant Growing” (1992), de Christa Sommerer e Laurent Mignonneau, ou “Beobachtung der Beobachtung: Unbestimmtheit” (1993), de Peter Weibel, são exemplos de como podemos, através de dispositivos e ambientes gerados pela junção da arte com os novos media, estimular vários dos nossos sentidos, sempre acentos na preocupação por uma participação activa entre obra e público.

“Beobachtung der Beobachtung: Unbestimmtheit”, 1993, Peter Weibel

“Beobachtung der Beobachtung: Unbestimmtheit”, 1993, Peter Weibel

Com esta mesma intenção participativa, e assente na ideia final do autor que faz referência a um media universal e não a um dominante, a mais recente etapa do projecto (00,00), Soundscape (00,00), realizado em parceria com a Ana Beatriz Marques, vem redefinir os objectivos de um posicionamento face à simulação. Concentra-se na ideia de Peter Weibel de que os próprios novos media apresentam possibilidades, e oferecem novas possibilidades aos antigos media, ou seja, que os novos media oferecem formas totalmente novas de reproduzir conceitos antigos e que o resultado de uma união entre todos os media reside numa produção artística.

Tendo o som como elemento de captação sensorial da realidade, através de novas ferramentas e suportes, passa a existir uma redefinição dos sentidos e representações, e consequentemente, novas interpretações e percepções.

Serão, assim, descobertas novas realidades ocultas através de um mapeamento do som e da abstracção dos estímulos.

Continuando com a teoria inicial de simulacro, que tem por base o poema de José Luis Borges e a obra “Simulacros e Simulação” (1981), de Jean Baudrillard, o projecto está direccionado para a cidade de Lisboa.

Este mapa sonoro constituído a partir de um mapa geográfico posiciona-se de forma crítica para os ambientes da cidade, criando estranhas relações entre homem e natureza. Esta hiper-realidade sonora fará o participante questionar-se sobre o sentido que constitui a abstracção do nosso quotidiano, assim como os seus sentidos.

Referências bibliográficas:

WEIBEL, Peter. “The Post-media Condition”, 2005.

WEIBEL / GIANNETI, Peter / Cláudia. INTER[IN]VENÇÃO Coleção ZKM | Karlsruhe, in Inter[in]venção, Coleção ZKM | Karlsruhe, Fundação Eugénio de Almeida, 2013