Archive

Design Editorial e Novos Media

Design Editorial e Novos Media // 1

Marshall McLuhan entendia o termo media de forma bastante ampla, incluindo tecnologias, artefactos, palavras e teorias descobertas pelo ser humano. Numa procura por um maior entendimento dos media, traçou um sistema de análise singular de quatro efeitos, os Tetrads of Media Effects.

Deste modo os Tetrads de Mcluhan funcionam como um meio de chocar, sensivelmente, e repensar a condição actual dos media, expandindo a possibilidade de novas descobertas, paradigmas e formas de operar.

Tetrads of Media Effects – Marshall Mcluhan

// What does it enhance?

// What does it make obsolete?

// What does it retrieve that had been obsolesced earlier?

// What does it flip into when pushed to extremes?

1

23

Design Editorial e Novos Media // 2

Usando o poder de edição da plataforma Wikipedia, optei por dar como entrada, pela sua relação com a unidade curricular e a sua envolvência com a temática dos novos media, o crítico Alessandro Ludovico.

[[https://pt.wikipedia.org/wiki/ALESSANDRO_LUDOVICO]]

wikifinal

Foi, no dia 24 de maio de 2015, pelas 04h21min, eliminada pelo usuário OnlyJonny.

wikiapagado

 

[[https://pt.wikipedia.org/wiki/Usu%C3%A1rio:OnlyJonny]]

wikimedalha

Design Editorial e Novos Media // 4

Que formato impõe o lado autoritário da informação? // Como se retracta o inclassificável? Ou o fidedigno?

A visão do livro enquanto meio de publicar texto tem sido metamorfoseada. Actualmente, a forma como olhamos para a relação entre a publicação e a informação nos formatos editoriais é fruto de uma crescente emancipação tecnológica e de uma cultura com novas tendências e em contínua evolução. Noções como arquivo ou enciclopédia passam a dominar o mundo digital, e o conceito híbrido torna-se uma normalidade e complementaridade do livro.

Numa era pós-digital ser autor e produzir conteúdo é fácil, o acesso à informação é mais imediato e a internet torna-se género de um arquivo livre. Mas o que torna o pós-digital uma condição útil e livre, também o torna questionável e sujeito a uma ponderação. Como distinguir o que é real e não real? Como confiar no conhecimento dos formatos editoriais? A verdade é que actualmente, o que caracterizava um compêndio já não garante a sua fidedignidade quanto ao conteúdo. Existe agora uma quebra entre o que é escrito e os seus suportes.

Desta forma, os formatos editoriais já não servem somente para suportar a informação, mas para questioná-la e fazer o diálogo entre os vários movimentos.

“In design exploration, the most important question is: “What if?” … design exploration is a way to comment on a phenomenon by bringing forth an artifact that often in itself … becomes a statement or a contribution to an ongoing societal discussion.”

Daniel Fallman, 2008

Printing out the web, Keneth Goldsmith (2014)

Printing out the web, Keneth Goldsmith (2014)

Como proposta prática desta visão, pensei num objecto híbrido que fosse de encontro com este fenómeno de validade, procurando questionar e criticar a validade do conteúdo numa publicação pós-digital, seja de carácter editorial ou digital, fazendo recurso a informação falsa ou de carácter duvidoso. Seria assim, difícil de distinguir o real do falso.

The interaction design research triangle of design practice, design studies, and design exploration, D Fallman – Design Issues, 2008   

Design Editorial e Novos Media // 5

Entende-se por manual escolar um livro que foi escrito, elaborado e pensado para ser lido por estudantes numa determinada condição. De grande relevância para Portugal, os livros escolares constituem um ponto crucial na indústria da edição, interferindo com muitos protagonistas educativos e sociais. E na qualidade de material didáctico tem vindo a ser, tanto por utilizadores, produtores ou distribuidores, alvo de discussão e debate, sempre numa procura por problematizar e suscitar reflexões que de determinada forma contribuam para uma beneficiação dos processos de concepção e utilização.

Numa era pós-digital, onde as novas gerações nascem já num mundo digital e tecnológico, onde têm acesso total e imediato às novas ferramentas digitais, este debate torna-se imprescindível. Existe, agora, uma necessidade de aliar estas componentes analógicas ligadas a uma imposição pedagógica à evolução tecnológica, e abraçar os meios digitais a favor da educação.

Sem título-1

Mas haverá um fim dos manuais de ensino escolar?

Custa-me a acreditar numa total obsolescência do livro enquanto manual escolar, acreditando nas suas qualidades enquanto material físico, mas a verdade é que as crianças e jovens da actualidade acabam por interagir com meios digitais em todos os momentos do seu dia quase com excepção das aulas e momentos educativos, o que pode, confrontados com a falta de interactividade tecnológica nos seus meios escolares, criar um desinteresse e desmotivação pelas actividades académicas.

Existe já uma necessidade de complementar o livro com dispositivos digitais, e exemplo disso são os novos métodos de ensino virtual (e-learning) e plataformas de livros digitais. Deste modo, o futuro dos manuais escolares fica obrigado a moldar-se às novas preferências, estabelecendo uma transição do formato físico para o formato interactivo onde existe uma exploração da componente digital.

Não estando de todo a disciplina de design fora da envolvente dos novos media, os designers estão agora, mais do que nunca, activos e visíveis. Dos compêndios aos tradicionais livros técnicos, as primeiras obras apresentadas no primeiro contacto com o design tornam-se fundamentais no processo de desenvolvimento desta disciplina, acabando por orientar o estudante numa determinada direcção. Deste modo, e observando a minha primeira experiência com a área, penso que se este primeiro contacto fosse composto por plataformas digitais que disponibilizassem de forma aberta, sintetizada e directa várias obras e pontos de vista sobre esta temática, garantindo sempre um conteúdo fidedigno, os caminhos de exploração eram mais vastos e estimulantes.

Observando o meio do design académico, penso que o futuro deveria passar por garantir que tanto a teoria como a vertente prática e técnica desta disciplina estivessem disponíveis de forma mais directa, fácil e diária aos alunos, acabando com barreiras como custos elevados de aquisição ou edições limitas pouco acessíveis. Cruzando a teoria com a prática, imagino um ensino onde as referências e o acesso tanto a software/hardware e doutrinas de pensamento são mais atingíveis.

Essencialmente, seja na área do design ou noutra área, penso que é necessário ter em atenção que na grande maioria dos casos, o manual de ensino escolar é o primeiro livro de contacto diário que um jovem tem, o que torna esta experiência determinante para traçar o futuro da sua relação com livros e obras. E isto para dizer que é importante continuar a garantir o carácter de conteúdo válido, mas adequar a informação a meios que permitam estimular esta experiência.